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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Eu amo o impossível


Eu amo o impossível
que espreita
na esquna
da escola
e no canto do relógio
me olha
com um sorriso
não menos misterioso
que seu olhar.
Eu amo o impossível
que por sua vez é um cavaleiro
de capa, espada e armadura
protegido por muros castelares
que o oculta de mim.
Eu amo o impossível
o que é improvável.
Eu amo a ilusão
que vem de cada palavra.
Eu amo o duplo sentido
que sai da sua boca.
Eu amo o impossível, 
tudo aquilo que é difícil amar.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Crítica ao circo


Caricatura(dos)
Políticos
Palhaços
Que nunca falham
em fazer-me rir.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Eu nunca tive medo de cair.

       Eu acho que sou masoquista.
       É única explicação racional que encontrei até agora pra justificar essa meu eterno otimismo.
       Mesmo com tudo caindo, quebrando, se estragando. Mesmo com as pessoas mentindo, enganando, maltratando. Mesmo comigo falhando, cansando, errando.
       Eu gosto de decepções.
       Eu gosto de me decepcionar.
       Gosto do gosto amargo do fracasso, como veneno que escorre pela minha boca e cai no chão apenas pra provar que eu não mereço atenção.
       Gosto de ser esquecida. Gosto de ser deixada de lado. Gosto de cair, de me machucar. Gosto de não ser ouvida.
       Faz parte de quem eu sou.
       Talvez um dia eu me canse e pare de ser assim. Mas por enquanto, vou continuar caindo e abraçando o chão que me segurou.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Fears


I hid away
my true face
and decided I had
to meet fate
'cause somewhere along the way
I knew I would be forgotten.

sábado, 19 de outubro de 2013

Perdoe-me se não consigo seguir seus padrões de "normalidade"...


   ... Mas a verdade é que eu gosto de acordar de manhã já cantando a plenos pulmões músicas da minha velha infância. Eu gosto de tomar banho de água fria, de tomar leite com nescau e do cheiro de café que parece ter penetrado nas paredes da cozinha. Eu gosto do cheiro do meu perfume, o mesmo que minha mãe costumava passar em mim quando eu não era nada mais que um bebê. Gosto de falar muito alto, de chamar muita atenção. Gosto de sussurrar, de desaparecer, de observar tudo de uma distância segura e fingir que não estou ali. Depende do meu humor no dia.
       Gosto de imaginar como seria a vida se eu nunca tivesse nascido, gosto de imaginar como seria a vida se eu morresse agora. Gosto de tirar o juízo dos meus amigos, de perguntar tudo o que vem à cabeça aos meus professores. Gosto da comida da cantina. Gosto de reclamar. Gosto de escrever poemas. Gosto de pintar - mesmo que seja horrível nisso. Gosto de correr feito uma louca. Gosto de dançar. Gosto de abraços, ah! Como gosto de abraços.
       Gosto de ser a mesma pessoa desde sempre, o mesmo bebê risonho de quatro anos, a mesma criança tagarela de sete, a mesma sabe-tudo de dez, a mesma inocentemente rebelde de quinze. Sou fiel ao meu passado, e sempre olho pra trás na esperança que o meu próximo passo seja motivo de orgulho da minha "eu" de oito anos. Aquela que se agarrou ao carrossel do Horácio e chorou porque nunca queria crescer. Eu ainda sou aquela garota, aquela garota ainda sou eu. E você? Seu eu de oito anos se orgulharia de você? Que tal se preocupar mais com ele do que comigo? Muito obrigada e passar bem.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Dori me.

     
       Eu deveria ter sido o suficiente, e todas as comparações deveriam ter se perdido em algum caminho entre a mente e a boca. Eu deveria ter sido o suficiente, e as sombras de quem está na minha frente não deveriam ter me assombrado, o peso de quem está acima de mim não deveria ter me machucado e as farpas de quem fica atrás não deveriam ter me perfurado. Eu deveria ter sido o suficiente, e tudo o que fiz até quando o fiz deveria ter sido levado em conta, e não o que não pude ou deixei de fazer.
       Eu deveria ser o suficiente, e a dor de ser sempre a segunda, ou a terceira, ou a sétima escolha deveria me ser desconhecida. Eu deveria ser o suficiente, e meus músculos, minha mente, meu coração não deveria doer tanto devido a tantas tentativas de superar ao outros ou ao que os outros esperavam de mim. Eu deveria ser o suficiente, e as palavras que falei e as ações que realizei nunca deveriam ter sido questionadas, como se eu não fosse confiável o bastante para que elas bastassem por si só.
       Eu nunca fui o suficiente, mesmo quando tentei ser aquilo que me pediram, mesmo quando me machucava fazendo algo pelos outros, mesmo quando eu fazia tudo que poderia ter feito. Eu nunca fui o suficiente, e por mais que eu tente, todos parecem saber ou perceber isso. Eu nunca fui o suficiente, nem nunca, nunca serei.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Partidas e os que são deixados para trás (parte II)


       E apesar de todas as pistas, todos os pequenos "adeus" que ela dava todos os dias, todos os gestos que provavam que há muito ela já não nos pertencia, eu não consegui deixar de me sentir traído ao acordar um dia e não encontrá-la ao meu lado. Nenhum bilhete. Nenhum adeus. Nenhum nada.
       Eu já deveria saber, é claro. Eu deveria ter previsto. Mas eles dizem que o amor é cego, e aparentemente eu também sou. Não me toquei quando acordei naquele dia e você já estava acordada, olhando fixamente para o horizonte. Não me toquei quando você preparou café preto forte e colocou em uma jarra perto da janela. Não me toquei quando você sussurrou "Adeus" antes de adormecer na noite anterior, e por isso eu me chuto mentalmente e me desespero, enrolado nos lençóis que antes cobriram o seu corpo.
       O desespero me consome, enquanto o seu cheiro me sufoca lentamente, e deixo-me afundar cada vez mais na cama. Eu poderia ter te parado. Eu poderia ainda te ter.
       Fui abandonado.
      Mas não estou sozinho.
       A solidão entrou pela mesma porta que você saiu.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Os créditos sempre rolam quando o filme chega ao final.

     
O caso era sério.
Era o cansaço, a tristeza que batia no fim de semana.
O passado que voltava à noite.
Os fantasmas, os zumbis das pessoas amadas.

Ela fingiu não mais amar.
Ela fingiu não se importar.
Ela fingiu e fugiu.

Já não era mais a mesma.
O abandono, o descaso, tudo e todos a consumiram e deixaram o ossos para o acaso.
Cansaço.
Passado.
Aquele que não sumia, apesar de todas suas tentativas.

Por fim,
o fim.
Daqueles que sucedem um filme ruim
(muito ruim)
como sua vida não podia deixar de ser.

Afinal,
a estrela era ela.
E brilho,
nem mesmo no olhar.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Ofélia


E se eu realmente tivesse que morrer hoje,
antes das rugas,
dos cabelos brancos,
das velas de aniversário.
E se eu tivesse que morrer hoje,
antes do amor,
dos filhos,
dos netos.
E se eu morresse hoje,
antes do diploma,
das contas,
da casa.
E se eu morresse
se, e apenas se eu morresse
quando meu corpo não mais reagisse
minhas lágrimas não mais caíssem
meus sorrisos não mais se abrissem.
Se morressem...
Ah!
Se morressem
aqueles que morrem
Mas não!
Não morrem
Ao contrário, de fato.
Assombram e arrancam pedaços
daquilo que chamamos coração
E por isso a morte dói
Assusta
Entristece
Mas quando eu morrer...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Partidas e o que as motivam.


       E parto agora da minha pátria amada, meu berço gentil, meu pátio amado. Não saio feliz, não saio de coração leve. Ao contrário. Ele se encontra mais pesado que minha consciência, se é que isso é possível.
       Mas não consigo lidar com a minha bagunça, da mesma forma que não consigo domar os meus cabelos revoltados pela manhã. Não consigo olhar para os meus erros, mesmo que eles há muito não passem de rasuras em páginas passadas no caderno da minha vida. Não consigo enfrentar os meus fantasmas, mesmo que eles não existam. Não consigo olhar nos olhos das minhas vítimas, mesmo que elas não se sintam vitimadas.
       Mas parto. E não há nada que alguém possa impedir.
       Minha alma já não mais está aqui.