Trago uma (ótima?) notícia para vocês, fiéis seguidores. Estarei expandindo o blog nos próximos meses! Deixe-me explicar: ao invés de deixar o barbarademedeiros relacionado apenas com minhas produções textuais, quero agora fundir o meu blog maniadecritica, que será excluído, a esse. Então preparem-se para as mais variadas postagens, desde críticas de filmes até postagens sobre estilo. E claro, muitos contos, muitas crônicas e muitos poemas. Porque eu não consigo parar de escrever.
2Beijos,
Bárbara de Medeiros
P.S.: Eu postarei algumas das minhas postagens preferidas do maniadecritica aqui, até para não perdê-las. Todas serão devidamente indicadas.
terça-feira, 27 de maio de 2014
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Desabafo aleatório e plural
Preciso de um emprego.
Por todas as razões óbvias que ninguém nunca pensou em explicitar.
Preciso do papel que move o mundo:
dinheiro.
Só que não.
Não preciso dele.
Preciso de um trabalho remunerado que me traga desprazer.
Tristeza.
Cansaço.
Depressão.
Preciso de uma saúde precária para reclamar dos pulmões nas mesas de café
(já não tenho mais o que falar).
Preciso de um salário baixo,
pra poder querer algo que não posso ter.
Preciso de algo pra reclamar
o quanto antes
melhor!
Que tal agora?
A hora passa
e eu não sei sobre o que escrever.
Não tenho miséria
Não sou da favela
Tenho o que comer
Durmo sob um teto
Ganho abraços, beijos, um carinho materno
e um elogio sincero do meu pai.
As contas são pagas,
um sorriso de graça,
posso não ter o mundo,
mas o que tenho é seguro:
é meu,
pago com dinheiro limpo em notas sujas
e sei que de noite,
após a oração,
dormirei com a consciência tranquila
enquanto vocês, não.
- Aos mequetrefes públicos que reclamam de barriga cheia e consciência cumulus nimbus.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Eu quero silêncio.
Barulheira geral em sala de aula. Conversas paralelas, risadas, cantorias. Bolinhas de papel voam de cá pra lá e até mesmo um aviãozinho (daqueles que eu nunca consegui fazer) flutua lentamente pela sala até pousar na mesa da professora, para a alegria dos meninos sentados ao meu lado. Eu reviro os olhos e tento me concentrar no livro à minha frente, provavelmente o quarto ou quinto de Harry Potter.
Era o quinto ano. Meu gênio e minha obsessão por controle ainda estavam por ser controlados (se é que eu posso dizer que hoje estão) e, pra completar, eu era a líder de sala. Era minha responsabilidade mandar naqueles diabinhos que não conseguiam ficar calados entre a troca de professores - ou pelo menos, era assim que a minha versão de dez anos encarava o título.
A professora entra em sala, a aula de matemática já deveria ter começado a pelo menos quinze minutos, mas os aborrecentes do nono ano prenderam nossa mestra por tanto tempo que já havíamos perdido quinze minutos de aula, dos quais cinco com certeza aquela senhora baixinha havia perdido tentando chegar até a nossa sala com seus passinhos curtos. Era uma escola enorme, afinal.
Eu amava aquela sala. Passara os últimos três anos esperando pelo momento em que alcançaríamos o fim do corredor,e ainda podia me lembrar do percurso que fazia, dia após dia, a mão direita correndo pela parede, acompanhando com os olhos as aulas que se passavam nas salas que faltavam para eu chegar ali. E agora, aqui estava. Não fazia tanta diferença assim, na verdade. As paredes tinham a mesma coloração que todos os outros recintos da escola, a mesma pintura emoldurada do nosso fundador repousava acima do quadro branco, até a maçaneta da porta era de mesmo fraco metal (todos os anos quebrávamos pelo menos uma). Mas aos meus olhos, aquela sala era diferente de todas as outras. Ela representava a liberdade.
Algumas decisões importantes seriam tomadas até o final daquele ano, e mesmo estando na metade do primeiro trimestre, eu já sentia isso. A possibilidade de mudar de escola me excitava, e mesmo que não se concretizasse, um novo mundo se abriria pela minha frente. O sexto ano representava o fim do ensino fundamental II, e o fim do corredor. Literalmente, havia ali uma virada na minha vida.
Mas voltemos por um minuto à situação em que eu estava. A professora já chegara e minhas tentativas de silenciar uma sala de quarenta alunos de dez anos que falam gritando provaram-se absolutamente frívolas. Minhas faces à época morenas (acreditem ou não, mas eu amava ir à praia) encontravam-se coradas de tanto esforço, e o suor provavelmente já havia grudado os meus cachos rebeldes à minha nuca. Virando-se para ver a reação da educadora perante todo aquele tumulto, assustei-me com a serenidade que dominava seu semblante. Ela nem mesmo se movia, parada em pé diante da sala. Recostada à parede, esperava pacientemente pelo silêncio dos meus colegas.
Após alguns minutos, notou o meu olhar de desentendimento e deu um sorrisinho, mas voltou a olhar pra sala e aguardar pelo fim da bagunça.
Não demorou muito. Os risos pararam repentinamente, os olhares tornaram-se amedrontados, as bocas se fecharam com uma rapidez surpreendente. Eu, parada no meio da sala, olhava da professora para os meus colegas como quem questiona a existência de bruxaria em uma escola católica. A calmaria não substituiu a animação, mas sim a tensão, sua amiga íntima. Abobalhada, voltei para minha cadeira, e encarei a professora. A única diferença é que eu era provavelmente a única da sala que não estampava no rosto uma expressão de medo, e sim de confusão.
E bem naquele momento, como se despertada pelo silêncio, a professora deu sinal de vida. Descruzando os braços, um sorriso desdenhoso deu lugar à expressão sem vida e pronunciou as palavras que me acompanhariam por anos a fim, sempre me fazendo questionar o meu modo de liderança e minha forma de viver a vida em geral: "Quem quer silêncio, faz silêncio."
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Flores de plástico
Não quero mais ver flores de plástico em cima de um vaso em cima de uma mesa enquanto uma pessoa na qual eu deveria confiar me avisa que eu deveria ser mais autêntica. Com licença. Acho que esqueci de lavar os ouvidos. Você quer o quê, querida? Autenticidade? Pasmem. Ao menos o significado dessa palavra lhe é conhecido? Acredito que não.
Não me peça autenticidade, PELO AMOR DE DEUS. Não neste mundo, não nesta sociedade. Eu vou ignorar os seus conselhos e seus pedidos, vou descartá-los como se fossem lixo. Já descartei o meu verdadeiro "eu" há muito tempo, e não tenho mais como recuperar.
A verdade é que tenho medo. A verdade é que tenho absoluto pavor de ser eu mesma. Todas as vezes que tentei baixar as muralhas, tirar a máscara e despir-me da armadura, saí tão machucada da guerra que pensei que não poderia me recuperar, jamais. Então Deus me livre de ser autêntica.
Ou pelo menos, da próxima vez que você for aconselhar alguém, compre flores verdadeiras. Daquelas que precisam de água. Daquelas que não empoeiram. Daquelas que são descartáveis, sabe? Morrem e se degradam...
Assim como nós.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
CARTÓRIO
O cartório já fechou
As pessoas já foram embora
Ou você está dentro
Ou você está fora
Só não me atrapalhe o caminho
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Eu amo o impossível
Eu amo o impossível
que espreita
na esquna
da escola
e no canto do relógio
me olha
com um sorriso
não menos misterioso
que seu olhar.
Eu amo o impossível
que por sua vez é um cavaleiro
de capa, espada e armadura
protegido por muros castelares
que o oculta de mim.
Eu amo o impossível
o que é improvável.
Eu amo a ilusão
que vem de cada palavra.
Eu amo o duplo sentido
que sai da sua boca.
Eu amo o impossível,
tudo aquilo que é difícil amar.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Eu nunca tive medo de cair.
Eu acho que sou masoquista.
É única explicação racional que encontrei até agora pra justificar essa meu eterno otimismo.
Mesmo com tudo caindo, quebrando, se estragando. Mesmo com as pessoas mentindo, enganando, maltratando. Mesmo comigo falhando, cansando, errando.
Eu gosto de decepções.
Eu gosto de me decepcionar.
Gosto do gosto amargo do fracasso, como veneno que escorre pela minha boca e cai no chão apenas pra provar que eu não mereço atenção.
Gosto de ser esquecida. Gosto de ser deixada de lado. Gosto de cair, de me machucar. Gosto de não ser ouvida.
Faz parte de quem eu sou.
Talvez um dia eu me canse e pare de ser assim. Mas por enquanto, vou continuar caindo e abraçando o chão que me segurou.
É única explicação racional que encontrei até agora pra justificar essa meu eterno otimismo.
Mesmo com tudo caindo, quebrando, se estragando. Mesmo com as pessoas mentindo, enganando, maltratando. Mesmo comigo falhando, cansando, errando.
Eu gosto de decepções.
Eu gosto de me decepcionar.
Gosto do gosto amargo do fracasso, como veneno que escorre pela minha boca e cai no chão apenas pra provar que eu não mereço atenção.
Gosto de ser esquecida. Gosto de ser deixada de lado. Gosto de cair, de me machucar. Gosto de não ser ouvida.
Faz parte de quem eu sou.
Talvez um dia eu me canse e pare de ser assim. Mas por enquanto, vou continuar caindo e abraçando o chão que me segurou.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Fears
I hid away
my true face
and decided I had
to meet fate
'cause somewhere along the way
I knew I would be forgotten.
sábado, 19 de outubro de 2013
Perdoe-me se não consigo seguir seus padrões de "normalidade"...
... Mas a verdade é que eu gosto de acordar de manhã já cantando a plenos pulmões músicas da minha velha infância. Eu gosto de tomar banho de água fria, de tomar leite com nescau e do cheiro de café que parece ter penetrado nas paredes da cozinha. Eu gosto do cheiro do meu perfume, o mesmo que minha mãe costumava passar em mim quando eu não era nada mais que um bebê. Gosto de falar muito alto, de chamar muita atenção. Gosto de sussurrar, de desaparecer, de observar tudo de uma distância segura e fingir que não estou ali. Depende do meu humor no dia.
Gosto de imaginar como seria a vida se eu nunca tivesse nascido, gosto de imaginar como seria a vida se eu morresse agora. Gosto de tirar o juízo dos meus amigos, de perguntar tudo o que vem à cabeça aos meus professores. Gosto da comida da cantina. Gosto de reclamar. Gosto de escrever poemas. Gosto de pintar - mesmo que seja horrível nisso. Gosto de correr feito uma louca. Gosto de dançar. Gosto de abraços, ah! Como gosto de abraços.
Gosto de ser a mesma pessoa desde sempre, o mesmo bebê risonho de quatro anos, a mesma criança tagarela de sete, a mesma sabe-tudo de dez, a mesma inocentemente rebelde de quinze. Sou fiel ao meu passado, e sempre olho pra trás na esperança que o meu próximo passo seja motivo de orgulho da minha "eu" de oito anos. Aquela que se agarrou ao carrossel do Horácio e chorou porque nunca queria crescer. Eu ainda sou aquela garota, aquela garota ainda sou eu. E você? Seu eu de oito anos se orgulharia de você? Que tal se preocupar mais com ele do que comigo? Muito obrigada e passar bem.
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